- Por favor, informam-se a todos os passageiros que o comboio das 15.00 está a chegar ao terminal nº7. Advertimos para que permaneçam atrás da linha amarela para o seu bem estar e segurança. A Light Speed Dominion deseja a todos os utentes uma boa viagem. -
- Já não era sem tempo... -
O dia estava alto com o Sol no seu expoente máximo, a esta hora do dia as temperaturas atingiam valores altissímos, o mercúrio não conseguia acompanhar o trote destes dias que aparentavam ser os dias mais quentes do ano. As cores azuis e brancas do céu foram substituidas abruptamente pelas cores amarelo palha seco e o laranja que enchem o céu como uma aguerela seca e podre, pinceladas bruscas e animalescas coloriam o que outrora era um manto oceânico coberto por colossus de algodão.
Ao longe, como uma miragem, o céu era rasgado por uma serpente a alta velocidade, rugindo em surdina pelo cenário aportando rapidamente na estação 7, lucky seven como diziam os yankees. Algo no ar agoirava que não iria ser um dia de sorte e mal a serpente metálica preta e vermelha parou na estação da sorte, o inferno desabou na terra....as portas abriram-se...estava escuro...uma luz, duas, três...quatro, um rugido...um cheiro. Pestilência, morte...
- O comboio está atrasado -
Agora, a estação vazia dava lugar a uma multidão de demónios e aventesmas que saiam do comboio como gente civilizada em hora de ponta, semelhança gritante a não ser pela falta do jornal. As aves que ainda tinham coragem de estar ali, rodeavam uma pequena rapariga, baixa que devia ter os seus 16 anos, o seu longo cabelo negro tingia o dia como um borrão de tinta visto do céu. Uma leve brisa pediu a honra de uma dança e de mãos dadas com o seu belo cabelo negro petróleo dançaram uma valsa convidando todos em redor, se não fossem tão primitivos. O vento tornou-se mais arisco e decidiu flirtar com a jovem apalpando-a com as suas mãos frescas, descendo cada vez mais a camisa branca e desceu mais, levantando a sua saia de colegial revelando umas inocentes cuecas brancas...
E nesse dia mais quente do ano, onde o sol ofuscava a vista e onde o suor se recusava a sair, a pequena menina bailou, foi uma dança suave, rápida, bela... dançou com o vento e nesse dia de amarelo palha seco e laranja, o dia conheceu outra cor...o vermelho sangue. E o comboio voltou a partir.
- Já não era sem tempo...-
domingo, 9 de março de 2008
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