sábado, 12 de setembro de 2009

Arksimas #3: Parte 2

Dentro do parque de estacionamento, a figura aproximou-se de um Mustang amarelo com duas riscas pretas. A ânsia ainda era visível, até ao abrir a porta. Com o torcer da chave, o motor penetrou as fileiras de colunas de betão com o seu rugido, e no minuto seguinte, vindo do auto rádio, juntou-se-lhe uma sinfonia caótica de guitarras eléctricas distorcidas acompanhadas de vozes roucas e batidas fortes. O ritual mantinha-se e dava-se assim o mote para mais uma aventura sanguinária.

Por entre as ruas semi-desertas, onde só os mais corajosos (ou ingénuos) deambulavam, o som proveniente do carro era mais audível que nunca. Superado apenas pelo enorme estrondo que se seguiu.
Vindo da esquerda, um jipe preto chocou com uma precisão tremenda na lateral do carro, obrigando-o a levantar os pneus do solo e procurar destino na parede de um dos vários arranha-céus que ocupam a cidade. Quem assistiu chamou-lhe de um espectáculo acabado em tragédia. De dentro do carro capotado arrastou-se a figura, agora ensanguentada, à procura de oxigénio e escape dos vidros partidos e metal retorcido.

A porta do condutor do jipe abriu-se e permitiu a saída de uma figura negra. Uma outra figura. Com o sobretudo preto a arrastar pelo chão, avançou lentamente para a figura que ainda se arrastava. Retirou de dentro do sobretudo uma pistola com um longo cano, apontou-a à sua vítima e iniciou o seu discurso:
Tenho um recado do meu patrão. Ele não precisa de publicidade indesejada. Estavas bem, estavas mesmo bem. Recebias mais do que nós todos juntos para fazer o que gostas, e nós livrávamo-nos dos criminosos mais difíceis. Mas tinhas que estragar tudo com o vídeo. Continuo sem compreender ao certo porque o fizeste, nem me interessa compreender. Os teus actos têm consequências e lembra-te que ao fim do dia, és só mais um criminoso. E é com essa definição que vais deixar este mundo…
O ponto final do discurso foi posto pelo som do gatilho a ser puxado. A figura negra voltou para o jipe com a mesma calma com que o tinha deixado. Ao se afastar de cena era possível ler no mesmo as letras PEAC. Polícia Especial Anti-Crime.

A figura estendida no chão, cuja vida lhe tinha sido retirada por uma bala certeira na cabeça, também tinha um nome. O seu nome era Arksimas.

1 comentário:

bett disse...

Então, mas qué isto, ele morre no fim? não acho bem...
XD continua com o bom trabalho, e já que já acabaste esta história, arranja outra para te entreteres.
=D