“O dia em que eu não tiver a certeza das minhas decisões, será o dia que morrerei. Mas volto a repetir, quero-o morto. Não preciso de publicidade indesejada. Faz o que melhor sabes fazer.” – Responde a voz do lado de cá.
“Certo chefe. Lidarei com ele imediatamente.” – Ouve-se o clique de fim de chamada.
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Uma figura aproxima-se do parapeito da varanda. Do bolso retira um maço de cigarros acabado de comprar, o plástico ainda protege a caixa. Removida a protecção, de dentro sai um cigarro direito à boca da figura e a persegui-lo um isqueiro em forma de pistola. Nos gestos nota-se uma perícia a ser recordada mas também um pouco de insegurança.
Ao acender o cigarro, o fumo arranha-lhe o fundo da garganta momentos antes de preencher os pulmões. O primeiro reflexo físico é a tosse, sinal da falta de prática ou da ansiedade?
Nas profundezas da sua mente corre a pergunta irrequieta de como acabará o dia. É um sentimento novo. Sempre teve o controlo sobre todas as situações. Hoje é diferente. Hoje a vantagem estará do lado oposto. E isso irrequieta a figura…
Terminado o cigarro, ao longe lê-se nos seus lábios “Está na hora.” E a figura volta para dentro.
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